EUA e Irã anunciam novos ataques em disputa pelo Estreito de Ormuz
Estados Unidos e Irã anunciaram ataques nesta quinta-feira (9), pelo segundo dia consecutivo, em sua disputa para definir quem estabelecerá as condições de navegação no Estreito de Ormuz.
A via marítima, uma área vital para o transporte do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos no planeta, é um foco de tensão recorrente no conflito.
O Irã insiste que pretende controlar a passagem pelo estreito, cujo tráfego não estava submetido a qualquer tipo de pedágio antes dos ataques israelenses e americanos de 28 de fevereiro, que desencadearam a guerra.
O principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou nesta quinta-feira que Ormuz só será plenamente aberto sob "disposições iranianas". O governo dos Estados Unidos defende a liberdade de navegação, sem a cobrança de pedágios ou tarifas para atravessar Ormuz.
- Bases americanas atacadas -
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que considerava a trégua encerrada após a primeira troca de ataques na quarta-feira. Mas horas depois, ele abriu a possibilidade de prosseguir com o diálogo.
Segundo as forças americanas, os últimos bombardeios contra o Irã tinham como alvo a capacidade do país de "ameaçar a livre navegação no Estreito de Ormuz", depois dos recentes ataques contra navios comerciais na via.
Um comunicado militar afirma que 90 alvos militares iranianos foram atingidos em ataques contra os sistemas de defesa aérea, depósitos de mísseis e drones.
Os ataques americanos nos últimos dois dias deixaram 14 mortos e 78 feridos, informou o Ministério da Saúde do Irã. "Entre os feridos, 47 continuam hospitalizados", afirmou Hossein Kermanpur, porta-voz da pasta.
A Guarda Revolucionária iraniana, o exército ideológico do país, anunciou que atingiu bases americanas no Bahrein e no Kuwait nesta quinta-feira em resposta às ações das forças de Washington.
O Exército oficial do país também reivindicou ataques contra alvos no Kuwait, Catar e Bahrein, três monarquias do Golfo aliadas dos Estados Unidos.
"Os ataques do Exército da República Islâmica do Irã contra bases americanas na região atingiram um sistema Patriot de interceptação de mísseis no Kuwait, um sistema de alerta antecipado no Catar e tanques de combustível no Bahrein, com um grande número e variedade de drones militares", afirmou a imprensa estatal.
A imprensa iraniana também informou que os bombardeios americanos atingiram uma ponte ferroviária no nordeste do país.
Segundo a televisão pública, os ataques forçaram a suspensão do serviço ferroviário entre Teerã e Mashhad, cidade em que está previsto para esta quinta-feira o enterro do ex-líder supremo Ali Khamenei, assassinado no primeiro dia da ofensiva israelense-americana, em 28 de fevereiro.
Também foram observados aviões de guerra sobre a ilha iraniana de Kish e várias explosões sacudiram as cidades portuárias de Bandar Abbas, Konarak e Shabahar, segundo a agência oficial de notícias IRNA.
"Isto é uma retaliação pelo bombardeio de navios de ontem por parte do Irã. Se voltar a acontecer, será muito pior", escreveu Trump em sua plataforma Truth Social.
Na noite de quarta-feira, Trump declarou no avião presidencial Air Force One que a parte iraniana telefonou para ele porque queria alcançar um acordo. O presidente americano não revelou detalhes sobre a ligação, mas questionou um possível acordo ao afirmar que os iranianos estão "um pouco loucos".
- Controle do Estreito de Ormuz -
Desde os bombardeios contra o Irã que desencadearam a guerra, Teerã insiste em controlar o Estreito de Ormuz e em cobrar pedágio pela passagem, sob a ameaça de atacar os navios que se desviam da rota autorizada.
As forças de Teerã atacaram pelo menos três navios nos últimos dias, o que provocou os bombardeios americanos de terça e quarta-feira. Oito militares iranianos morreram nestes ataques.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu "medidas imediatas para reduzir a tensão" e a retomada do diálogo.
O Irã afirmou que seu ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, e o primeiro-ministro do Catar, Mohamed bin Abdulrahman al Thani, conversaram por telefone na quarta-feira e "ressaltaram a importância de usar meios diplomáticos para resolver os problemas regionais".
- Marinheiros bloqueados -
Omã, na margem sul do Estreito de Ormuz, condenou os ataques contra o Bahrein e o Kuwait, assim como contra os navios, mas sem responsabilizar o Irã.
O país, que atuou como mediador entre Washington e Teerã, não atribuiu ao Irã a responsabilidade pelos ataques durante a guerra, com o objetivo de manter sua neutralidade, testada nas negociações sobre o controle de Ormuz.
Washington exige tráfego livre no estreito, enquanto o Irã insiste em cobrar pedágios e nega permissão de passagem pelas águas de Omã.
Os três navios atacados na terça-feira navegavam perto da costa de Omã. O tráfego marítimo havia sido retomado de maneira tímida após a assinatura do protocolo de acordo de junho entre Washington e Teerã para acabar com as hostilidades.
Quase 6.000 marinheiros continuam bloqueados na região, informou na quarta-feira a Organização Marítima Internacional.
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H.Dierckx--JdB