Journal De Bruxelles - Mundo caminha para aquecimento de 2,6 °C neste século, alerta ONU

Mundo caminha para aquecimento de 2,6 °C neste século, alerta ONU
Mundo caminha para aquecimento de 2,6 °C neste século, alerta ONU / foto: ROMAIN PERROCHEAU - AFP

Mundo caminha para aquecimento de 2,6 °C neste século, alerta ONU

Os compromissos globais para reduzir as emissões que aquecem o planeta estão muito aquém das metas climáticas de Paris e colocaram o mundo no rumo de um aquecimento de 2,6 °C neste século, advertiu a ONU nesta quarta-feira (21).

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O relatório anual do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) sobre emissões evidencia uma divisão entre o discurso e a ação para enfrentar o aquecimento global.

Mesmo que os países cumpram integralmente seus compromissos climáticos mais recentes, as temperaturas globais podem continuar aumentando 2,6 °C acima dos níveis pré-industriais até o ano de 2100, segundo o estudo.

Isso superaria em muito a meta histórica do Acordo de Paris, tratado global sobre mudança climática que estabeleceu manter o aquecimento bem abaixo de 2 °C, ao mesmo tempo em que se busca um limite mais seguro de 1,5 °C.

Segundo o Relatório sobre a Lacuna de Emissões (Emissions Gap Report 2026), qualquer possibilidade de manter o nível de 1,5 °C foi "perdida" por décadas de ações insuficientes.

"Inundações mortais, ondas de calor brutais, incêndios florestais devastadores, vidas perdidas, economias paralisadas, desigualdades cada vez mais profundas, e aqueles que têm menos responsabilidade são os que sofrem primeiro e com maior intensidade", alertou o secretário-geral da ONU, António Guterres, em comunicado por ocasião do lançamento do relatório.

Em termos gerais, as emissões globais de gases de efeito estufa em 2025 se mantiveram praticamente no mesmo nível dos recordes de 2024, com uma diferença entre os dois anos pequena demais para ser distinguida, segundo o relatório.

- Nenhum país está a salvo -

Os cientistas alertam que cada fração adicional de grau acima de 1,5 °C aumenta os fenômenos meteorológicos extremos e a probabilidade de mudanças irreversíveis no planeta, como morte de recifes de coral e derretimento de geleiras.

O mundo já aqueceu aproximadamente 1,4 °C em relação à era pré-industrial e espera-se que o limite de 1,5 °C seja superado em questão de anos.

A perspectiva do Pnuma piorou em relação à do ano passado devido à retirada dos Estados Unidos do Acordo de Paris e às revisões para cima das emissões históricas, destacou a coautora do estudo, Anne Olhoff.

Entre os seis principais emissores do mundo, os dados preliminares para 2025 mostraram aumentos nos Estados Unidos, na Indonésia e na China, e reduções na Índia, na Rússia e na União Europeia.

Em termos de magnitude, o aumento de 133 megatoneladas de CO2 equivalente nos Estados Unidos "superou de longe" o de qualquer outro país, impulsionado por uma maior demanda de eletricidade e pela geração de energia a carvão.

O segundo maior aumento foi registrado na Turquia, país que sediará a cúpula climática da ONU de 9 a 20 de novembro.

A secretária executiva do Pnuma, Inger Andersen, disse a jornalistas que nenhum país está a salvo das mudanças climáticas, "incluindo os Estados Unidos".

- "Fracasso histórico" -

O relatório detalha um cenário com 50% de probabilidade de reduzir o aquecimento global a 1,5 °C até 2100.

Para isso, é necessário atingir um máximo de 1,8 °C em 2050 e remover grandes quantidades de dióxido de carbono da atmosfera para reduzir ainda mais as temperaturas.

Isso pressupõe cortes imediatos nas emissões de 6% ao ano, todos os anos, até 2035, o que está longe das projeções atuais.

Alguns países em desenvolvimento vulneráveis às mudanças climáticas acusaram os maiores emissores de abandonar as metas de Paris, e espera-se um confronto em torno da meta de 1,5 °C na COP31.

"Este é um fracasso histórico da liderança política. A ciência tem sido clara há décadas, mas os governos optaram por adiar em vez de agir. As consequências serão medidas em vidas perdidas, não apenas em graus de aquecimento", afirmou Mohamed Adow, diretor do centro de estudos Power Shift Africa, com sede no Quênia.

S.Lambert--JdB