Journal De Bruxelles - Lula e Flávio buscam anulação de candidaturas com acusações envolvendo redes sociais

Lula e Flávio buscam anulação de candidaturas com acusações envolvendo redes sociais

Lula e Flávio buscam anulação de candidaturas com acusações envolvendo redes sociais

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) pediu nesta terça-feira (20) ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que anule a candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por suposta propaganda irregular em uma conta governamental no WhatsApp. Lula planeja fazer o mesmo contra o senador, por suposta interferência da Meta no segundo turno.

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O recurso apresentado ao TSE pelos advogados de Flávio, consultado pela AFP, menciona “abuso de poder” por parte de Lula na suposta difusão em massa de ações do governo em período eleitoral por meio da plataforma. Já a campanha do petista apresentará ao TSE um recurso por manipulação algorítmica por parte da Meta, com um pedido de revogação da candidatura de Flávio, disse à AFP uma fonte da campanha, que confirmou informações divulgadas pela imprensa.

A gigante americana da tecnologia é alvo de denúncias de Lula por supostamente prejudicá-lo em suas plataformas frente a Flávio. Embora o recurso junto ao TSE fosse ser apresentado nesta terça-feira, segundo outra fonte da campanha, essa movimentação acabou sendo adiada para o dia seguinte, informou o senador Camilo Santana, coordenador da campanha de Lula.

Apesar de a Meta negar as acusações, a empresa admitiu que houve falhas - como a desativação de anúncios da campanha do petista -, que atribuiu a "incidentes" técnicos que não teriam afetado apenas o Brasil.

A pedido da Meta, a empresa e os advogados de ambas as campanhas se reuniram nesta terça-feira perante o TSE, que ouviu as partes sobre o cumprimento de uma ordem sua para que a big tech garantisse equilíbrio aos dois candidatos.

"Transparência e igualdade entre os candidatos é o que se busca resguardar", afirmou o ministro Marco Aurélio Bellizze após presidir a reunião, citado em nota do TSE.

Lula, 80, busca o quarto mandato, diante do senador de direita, 45, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2022). As pesquisas mais recentes apontam um empate técnico no segundo turno.

- Falhas recorrentes -

A Meta afirmou nesta terça-feira que cumpriu a ordem do TSE de garantir o mesmo tratamento aos dois candidatos na distribuição de conteúdos e anúncios eleitorais.

Ontem, o tribunal deu à empresa americana um prazo de 24 horas para comprovar ações nesse sentido, após considerar que ela não havia tomado as providências exigidas na semana passada. Do contrário, estaria sob pena de multa diária de cerca de 1 milhão de reais.

Após o primeiro turno, a campanha de Lula acusou a Meta de "interferência" nas eleições, por restringir o alcance de seu conteúdo no Instagram e no WhatsApp. Também denunciou que a ferramenta de inteligência artificial da Meta se negava a gerar conteúdo eleitoral de Lula, mas não de seu adversário.

Entre as medidas adotadas, a Meta afirmou que apenas os candidatos e partidos registrados na Justiça Eleitoral poderiam fazer anúncios em suas redes.

O Comitê de Supervisão da empresa, que verifica de forma independente as plataformas do grupo, afirmou nesta terça-feira que constatou "falhas recorrentes" relacionadas a conteúdo sobre as eleições presidenciais no Brasil.

A campanha de Flávio denunciou uma suposta ofensiva de propaganda negativa impulsionada por seu adversário com a aprovação da Meta.

- Sigilo bancário -

Em desafio a Flávio, Lula autorizou nesta terça-feira a divulgação de seus extratos bancário e telefônico, bem como os de sua família, caso o adversário, investigado por suspeita de corrupção, comprometa-se a fazer o mesmo.

Lula confrontou Flávio sobre o caso Vorcaro no último domingo, em seu debate na TV. O candidato de direita revidou mencionando "Lulinha", filho do presidente e investigado por tráfico de influência, e afirmou, após o debate, que suas contas sempre estiveram abertas e declaradas.

E.Carlier--JdB