Petróleo e eleições, os motivos da aproximação de Trump com Putin
A proximidade das eleições, as afinidades pessoais e a guerra contra o Irã... há muitos fatores que explicam a aproximação de Donald Trump a Vladimir Putin, a quem uma figura próxima ao presidente dos Estados Unidos classificou como "humanitário" nesta quarta-feira (21).
O líder republicano voltou a se vangloriar do "respeito" que o presidente russo demonstra por sua pessoa. E, para ilustrar, deu um exemplo: Moscou anunciou a libertação, "sem contrapartidas", de Stephen Hubbard, um americano de 75 anos detido há quatro anos na Rússia.
Embora o próprio Trump tenha reconhecido posteriormente que a libertação deste professor de inglês não teria sido anunciada se Washington não tivesse antes isentado Moscou de novas sanções aprovadas pelo Congresso americano.
Desde o retorno de Trump à Casa Branca, "existe uma espécie de força de atração" por parte do presidente russo, que nas últimas semanas se tornou mais palpável em um contexto eleitoral nos Estados Unidos, explica Liana Fix, pesquisadora do Council on Foreign Relations, à AFP.
- Eleições de meio de mandato -
O Partido Republicano disputa o controle das duas câmaras do Congresso dos Estados Unidos, em meio a um descontentamento generalizado entre os eleitores pelo aumento do custo de vida, impulsionado, sobretudo, pela alta dos preços dos combustíveis.
A aproximação entre ambos os mandatários ocorreu por meio dos hidrocarbonetos russos. Trump suspendeu sanções ao gás e ao petróleo de Moscou com a intenção de reduzir o preço da energia e aumentar sua popularidade visando as eleições legislativas de novembro.
A grande prejudicada pelo movimento é a Ucrânia, assim como seu presidente, Volodimir Zelensky. Em 10 de outubro, o mandatário americano aconselhou os ucranianos a buscarem "um novo líder". E, cinco dias depois, afirmou que era "mais difícil" lidar com seu homólogo ucraniano do que com Putin.
Trump responsabiliza Kiev, com seus ataques contra refinarias russas, pelos altos preços dos combustíveis, quando na realidade a alta dos hidrocarbonetos veio com a guerra no Oriente Médio, desencadeada no fim de fevereiro pelos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.
O presidente americano, que busca não acirrar o conflito com Teerã antes de 3 de novembro, afirmou recentemente que a Rússia está fazendo "muito pouco, ou até nada, para ajudar" o Irã. "Quero que continue assim", acrescentou.
- "Humanitário" -
Para além dos cálculos presidenciais, os impulsos pessoais também influenciam.
O enviado especial de Trump, Steve Witkoff, surpreendeu aliados e adversários nesta quarta-feira ao classificar o presidente russo como "humanitário", em um encontro em São Petersburgo.
"Que diabos, Steve? Que declaração vergonhosa e escandalosa. Você deveria voltar à Ucrânia e perguntar às famílias das crianças que Putin sequestrou e assassinou se elas concordam", reagiu o senador republicano Thom Thillis no X.
Para além desta aproximação com Moscou, Trump mira também Pequim. O republicano cogita a ideia de uma rápida cúpula trilateral com seus homólogos da Rússia e da China, Putin e Xi Jinping, os dois líderes que aparecem ao lado do republicano americano em fotos penduradas em locais de destaque na Casa Branca.
Fix considera que não há ninguém capaz de moderar esta guinada em direção à Rússia.
A pesquisadora recorda a figura de Lindsey Graham, um senador republicano falecido recentemente que tinha influência sobre o presidente dos Estados Unidos e que impulsionou a lei que impunha novas sanções contra Moscou, a mesma que Trump acaba de revogar ao conceder isenções.
Por outro lado, "os líderes europeus já não se mobilizam como faziam" no início do segundo mandato do republicano, quando iam periodicamente à Casa Branca para defender a causa ucraniana, sustenta a pesquisadora.
R.Vercruysse--JdB