Editora canadense rompe com escritor acusado de usar IA para escrever romance
A editora canadense Boréal anunciou, nesta quarta-feira (21), o fim de sua relação com o escritor Thélyson Orélien, após concluir que ele utilizou inteligência artificial (IA) para escrever seu romance mais recente, apesar de ter negado repetidamente o uso da tecnologia.
O escritor haitiano-canadense é autor de "C'était ça ou mourir" (em tradução livre, "Era isso ou morrer"), romance em francês sobre migração que alcançou grande sucesso comercial e seria vendido em mais de 20 países. A obra ainda não tem edição oficial em português.
"Novos elementos, confirmados nos últimos dias, indicam que a inteligência artificial foi utilizada no processo de escrita de 'C'était ça ou mourir', embora o autor tenha nos assegurado repetidamente que nunca havia recorrido a ela para criar seu romance", informou a editora Les Éditions du Boréal em comunicado.
A editora anunciou o encerramento de sua relação profissional com Orélien.
O anúncio ocorre apenas uma semana depois de a empresa ter manifestado publicamente seu apoio ao escritor.
A polêmica começou após acusações feitas pelo perfil Balance ton Claude, na rede social X, que afirmou ter identificado o uso extensivo de IA no romance de Orélien.
Diante das dúvidas levantadas pelo caso e após Orélien anunciar que não forneceria mais informações, a editora afirmou ter encomendado "uma análise externa exaustiva" de "todas as versões de trabalho do romance".
"Os resultados obtidos nesta semana revelaram vestígios de marcadores de inteligência artificial nos metadados de alguns documentos", acrescentou.
"Continuamos sem saber até que ponto a IA foi utilizada na criação de 'C'était ça ou mourir', e provavelmente nunca teremos uma resposta definitiva a esse respeito", reconheceu a editora.
No entanto, ressaltou que "a questão fundamental para nós é a confiança entre autores e editores".
"C'était ça ou mourir" foi retirado da lista de finalistas do Prêmio Goncourt, o mais prestigioso da França, depois que análises realizadas com o detector de IA Pangram apontaram uma probabilidade de 100% de que a obra contivesse texto gerado por computador.
A.Parmentier--JdB