Journal De Bruxelles - Francis Halzen ganha o Nobel de Física por descobrir neutrinos de origem cósmica

Francis Halzen ganha o Nobel de Física por descobrir neutrinos de origem cósmica
Francis Halzen ganha o Nobel de Física por descobrir neutrinos de origem cósmica / foto: Jonathan Nackstrand - AFP

Francis Halzen ganha o Nobel de Física por descobrir neutrinos de origem cósmica

O belga Francis Halzen ganhou, nesta terça-feira (6), o Prêmio Nobel de Física pela descoberta de neutrinos de alta energia, partículas subatômicas provenientes de fora de nossa galáxia.

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Esse físico, de 82 anos, foi recompensado "por suas contribuições decisivas ao Observatório de Neutrinos IceCube e à descoberta de neutrinos de alta energia de origem astrofísica", informou o Comitê Nobel, reunido em Estocolmo.

"O prêmio deste ano trata de mensageiros fantasmagóricos vindos do espaço", declarou Ellen Moons, secretária-geral da Real Academia Sueca de Ciências, em entrevista coletiva.

- Um cubo de gelo gigante -

A "visão e liderança científica" de Halzen foram fundamentais para o Observatório de Neutrinos IceCube, afirmou a Academia, que o descreveu como "um quilômetro cúbico de gelo equipado com sensores de luz".

Graças a esse observatório, os pesquisadores podem "captar neutrinos, partículas subatômicas raras, provenientes de processos extremamente ricos em energia no universo distante".

"Este Prêmio Nobel tem a ver com um cubo de gelo gigante situado no Polo Sul do nosso planeta. O cubo de gelo permite a detecção de neutrinos", explicou à imprensa a professora Eva Olsson, membro do Comitê Nobel de Física.

Halzen nasceu em Tienen (Bélgica) e é professor na Universidade de Wisconsin-Madison, nos Estados Unidos.

- "Uma grande surpresa" -

"Foi uma grande surpresa e, obviamente, eu não esperava", declarou o físico por telefone na coletiva de imprensa pouco depois do anúncio. "Mas é um grande prazer saber que me concederam este prêmio", acrescentou.

No ano passado, o Nobel de Física foi atribuído ao britânico John Clarke, ao francês Michel Devoret e ao americano John Martinis por aplicarem a mecânica quântica e permitirem o desenvolvimento de todo tipo de tecnologia digital, desde telefones celulares até uma nova geração de computadores.

Este é o segundo Nobel da temporada, depois do de Medicina, concedido na segunda-feira ao americano Karl Deisseroth e aos alemães Peter Hegemann e Georg Nage por seu trabalho no campo da optogenética, que consiste em controlar os sinais nervosos por meio da luz.

O de Física será seguido pelo de Química na quarta-feira e pelo de Literatura, na quinta.

Os prognósticos para o de Literatura incluem escritoras latinas. A argentina Samanta Schweblin, de 48 anos, pode ser uma delas, declarou à AFP a crítica literária Lina Kalmteg. Outra é a mexicana Cristina Rivera Garza.

Ao lado delas, ganham força nomes como os das americanas Jamaica Kincaid e Thomas Pynchon, da chinesa Can Xue e dos australianos Gerald Murnane e Alexis Wright.

Talvez o mais aguardado seja o que será entregue na sexta-feira, o Nobel da Paz, o único concedido em Oslo.

Neste ano, alguns especialistas sugerem que o júri poderia optar pelo consenso, depois da polêmica provocada pela vencedora do ano passado, a líder da oposição venezuelana María Corina Machado.

O presidente americano, Donald Trump, pressionou para que lhe fosse concedido o prêmio, e Machado acabou lhe oferecendo sua medalha.

Neste ano, poderia ser compartilhado por Save the Children e Mikola Kuleba, ativista ucraniano que luta para trazer de volta as crianças ucranianas transferidas ilegalmente para a Rússia a partir dos territórios ocupados.

Entre os demais candidatos, destacam-se as Salas de Resposta a Emergências (ERRs, na sigla em inglês) do Sudão, uma ampla rede de voluntários que arriscam a vida para ajudar pessoas que enfrentam a guerra e a fome, e o Comitê para a Proteção de Jornalistas (CPJ), depois de 2025 ter sido o ano mais mortal da história para a profissão.

O prêmio de Economia encerrará a temporada em 12 de outubro.

A.Parmentier--JdB