Trump diz que eleições no Brasil foram "fraudadas" após vitória de Lula
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (26) que as eleições no Brasil foram "fraudadas", após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva sobre Flávio Bolsonaro (PL), que não reconhece o resultado.
Lula, que completa 81 anos nesta terça-feira, conseguiu reverter as expectativas na eleição após perder o primeiro turno e manteve o Brasil como grande bastião da esquerda em uma região que, em sua maioria, vem se voltando para a direita.
Ele superou por quase quatro pontos percentuais o senador, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, aliado de Trump.
"Eu não tomei partido, mas, francamente, pareceu outra eleição fraudada... Parecia tão corrupta, tão terrível", disse o republicano a jornalistas em Washington.
Líderes mundiais saudaram nesta segunda-feira a histórica reeleição de Lula para um quarto mandato, incluindo aliados de Trump na América Latina, como os presidentes do Chile, da Colômbia, do Peru, do Paraguai e da Bolívia.
Flávio Bolsonaro disse no domingo que pedirá a anulação das eleições e denunciou uma "ruptura total da isonomia entre os brasileiros", depois que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin prorrogou por duas horas o período de votação.
A prorrogação ocorreu depois que Lula denunciou problemas no transporte público que dificultaram a votação e também em resposta a um pedido do senador, motivado pelas "chuvas intensas".
— "Resistir ao caos" —
Em um vídeo publicado nas redes sociais, Flávio Bolsonaro disse nesta segunda-feira que pedirá a anulação da candidatura de Lula e, ao mesmo tempo, afirmou que liderará a oposição ao governo do petista.
"Para resistir ao caos, eu vou organizar a oposição. A gente fez a maioria no Senado e na Câmara. Foi uma vitória que vocês deram para o Brasil", disse ele, em referência ao fato de que a direita ampliou sua maioria no Parlamento para o próximo mandato.
A contestação dos resultados lembra a reação de seu pai em 2022. Jair Bolsonaro nunca reconheceu sua derrota para Lula no segundo turno daquele ano. Mais tarde, foi condenado a 27 anos de prisão por uma tentativa de golpe de Estado contra o líder de esquerda.
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, ministro do Supremo Tribunal Federal nomeado por Bolsonaro, comemorou as "eleições bem-sucedidas" e afirmou que a prorrogação do horário de votação não afetou o resultado, embora tenha gerado dificuldades.
Flávio Bolsonaro denunciou ainda nesta segunda-feira que foi proibido de deixar o país.
Por decisão do ministro do STF Alexandre de Moraes, "fui intimado [pela polícia] a entregar meus passaportes e também estou proibido de deixar o país", disse ele.
A Polícia Federal investiga Flávio Bolsonaro por suposta corrupção relacionada ao financiamento do filme biográfico "Dark Horse", sobre seu pai, que ainda não foi lançado.
Segundo Bolsonaro, a ordem judicial foi motivada por um comentário de seu irmão Eduardo, que vive nos Estados Unidos. Ele negou qualquer intenção de deixar o país.
Eduardo, que pressionou o governo Trump em favor dos interesses políticos de sua família no Brasil, disse em um podcast americano, dois dias antes das eleições: "Se meu irmão não vencer, sou favorável a que ele deixe o país", afirmou, ao mencionar as investigações contra ele.
— Diferença "considerável" —
Em sua sétima disputa presidencial, Lula obteve mais de 64 milhões de votos, um número jamais registrado no Brasil. Ele superou Flávio Bolsonaro por 4,4 milhões de votos.
Para o cientista político Oliver Stuenkel, "a diferença de votos foi bastante considerável", de modo que será "muito difícil" para o candidato conservador "convencer os eleitores de que o resultado se deve a uma fraude eleitoral".
Lula derrotou Jair Bolsonaro há quatro anos por uma diferença de apenas 1,8 ponto percentual, equivalente a 2,1 milhões de votos.
Bolsonaristas lideraram um movimento golpista que invadiu as sedes do Congresso Nacional, do Supremo Tribunal Federal e da Presidência da República, em Brasília, em janeiro de 2023.
— "Interferência" —
No entanto, mostrou-se evasivo quando questionado se pretendia tomar alguma medida a respeito.
"Eu não sou candidato no Brasil, sou candidato nos Estados Unidos."
Durante a campanha, Lula o acusou de tentar interferir na eleição e acusou a empresa americana Meta, proprietária do Instagram, do Facebook e do WhatsApp, de "intromissão" em favor de Bolsonaro.
H.Dierckx--JdB