Journal De Bruxelles - Riade e Cairo exigem livre navegação no Mar Vermelho ante bloqueio de rebeldes do Iêmen

Riade e Cairo exigem livre navegação no Mar Vermelho ante bloqueio de rebeldes do Iêmen
Riade e Cairo exigem livre navegação no Mar Vermelho ante bloqueio de rebeldes do Iêmen / foto: - - AFP

Riade e Cairo exigem livre navegação no Mar Vermelho ante bloqueio de rebeldes do Iêmen

A Arábia Saudita e o Egito exigiram, nesta terça-feira (15), que seja garantida a liberdade de navegação no Mar Vermelho, depois que Riade prometeu uma resposta firme aos ataques dos rebeldes houthis do Iêmen, que controlam uma das entradas dessa rota estratégica.

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Após anos de trégua na guerra civil no Iêmen, os houthis, aliados do Irã, retomaram em julho os combates contra as forças do governo apoiadas pela Arábia Saudita.

Em uma ofensiva relâmpago, os houthis conseguiram tomar o controle de todo o território iemenita no Mar Vermelho e do Estreito de Bab al-Mandeb, o que colocou a Arábia Saudita em xeque, já que o país dependia dessa passagem que liga o Oceano Índico ao Mar Mediterrâneo.

Para a Arábia Saudita, maior exportador mundial de petróleo, essa rota era vital desde que o Irã impôs um bloqueio ao Estreito de Ormuz, após o início da guerra contra os Estados Unidos, em fevereiro.

Com suas infraestruturas petrolíferas sob ataque dos houthis, o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, dirigente de fato do reino, viajou ao Cairo para se reunir com o presidente egípcio, Abdel Fatah al Sisi, e buscar apoio diplomático.

Os dois dirigentes "enfatizaram a importância de garantir a liberdade e a segurança da navegação marítima" pelos estreitos de Ormuz e Bab al-Mandeb, informou a Presidência egípcia.

Durante a reunião, Al Sisi reafirmou o apoio do Cairo às medidas adotadas por Riade "para proteger sua segurança e estabilidade", em um momento em que esse bloqueio pode afetar economicamente seu país, que depende em grande medida das receitas do Canal de Suez para obter divisas.

O Catar advertiu nesta terça-feira que o fechamento do Estreito de Bab al-Mandeb pode ter consequências "catastróficas".

- Ao menos 100 mil deslocados no Iêmen -

No Iêmen, os combates das últimas semanas deixaram centenas de mortos e cerca de 100 mil deslocados, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur).

A Arábia Saudita prometeu nesta terça-feira responder com "firmeza" aos ataques mais recentes dos houthis, e a Defesa Civil saudita emitiu pela manhã vários alertas de risco de ataque, um deles para a cidade sagrada de Meca. Posteriormente, as autoridades suspenderam o alerta.

Um ataque dos houthis no oeste do Iêmen matou oito soldados das forças governamentais na segunda-feira, segundo duas fontes militares.

Na noite desta terça-feira, foram emitidos novos alertas de ataques para a cidade de Aba, a região administrativa de Khamis Mushait e a província de Jazan, que foram suspensos de imediato.

Uma coalizão liderada pela Arábia Saudita contra os houthis confirmou, nesta terça, que na véspera ataques com mísseis e drones em três regiões deixaram 13 civis feridos.

O porta-voz militar dos houthis, Yahya Saree, disse que a Arábia Saudita lançou 52 ataques aéreos contra o Iêmen nas últimas 24 horas. Mas os bombardeios de Riade não conseguiram reverter os avanços do grupo.

Os Estados Unidos anunciaram, por sua vez, que vão melhorar o intercâmbio de inteligência e a assistência às forças sauditas, segundo um funcionário sob a condição do anonimato.

A retomada da guerra civil no Iêmen, conflito que começou em 2014, afetou os preços dos derivados de petróleo, que já eram negociados em níveis muito elevados desde o início da guerra no Oriente Médio.

O diesel americano registrou nesta terça-feira um novo recorde de 6,27 dólares (33 reais) o galão (3,78 litros) nos Estados Unidos, enquanto o barril de Brent, o petróleo de referência na Europa, se aproximou de US$ 110 (R$ 585).

A pedido da França, o Conselho de Segurança da ONU vai abordar nesta terça-feira, às 19h00 GMT (16h de Brasília), a situação no Estreito de Bab al-Mandeb, informaram à AFP fontes diplomáticas, que confirmaram a participação do Iêmen e da Arábia Saudita na reunião.

- "Novo equilíbrio de poder" -

A Arábia Saudita solicitou o adiamento de uma reunião com o Irã, que deveria reunir na segunda-feira, em Omã, os países do Golfo.

O porta-voz da diplomacia iraniana, Esmaeil Baqaei, criticou a atitude e afirmou que o "Irã não interfere nos assuntos iemenitas". Os houthis são "atores totalmente independentes que tomam suas decisões em função de seus próprios interesses", declarou.

A reunião deveria abordar o futuro do Estreito de Ormuz, outro ponto de passagem crucial para o comércio mundial de hidrocarbonetos.

Os navios que tentam atravessar o Estreito de Ormuz sem a autorização de Teerã são alvo de ataques.

Os últimos acontecimentos no Iêmen "estabeleceram um novo equilíbrio de poder na região e, inclusive, em nível internacional", destaca o analista político Maziar Khosravi.

"Me parece que o Irã (compareceria) a esta reunião em uma posição de força" diante de uma Arábia Saudita enfraquecida, explicou à AFP.

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Y.Simon--JdB