Journal De Bruxelles - Espanha defende sua soberania sobre Ceuta após crise migratória

Espanha defende sua soberania sobre Ceuta após crise migratória
Espanha defende sua soberania sobre Ceuta após crise migratória / foto: JORGE GUERRERO - AFP

Espanha defende sua soberania sobre Ceuta após crise migratória

A Espanha insistiu, nesta segunda-feira (3), que sua soberania sobre Ceuta é "inquestionável", depois que dezenas de milhares de migrantes entraram de forma irregular na semana passada neste enclave espanhol no norte da África procedentes do Marrocos.

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Madri tem evitado criticar Rabat por estas chegadas maciças, que alguns analistas interpretaram como uma forma de pressão do Marrocos sobre a Espanha.

O Marrocos reivindica sua soberania sobre Ceuta e Melilla - o outro enclave espanhol no norte a África - desde sua independência, em 1956, mas a Espanha rejeita taxativamente qualquer negociação sobre os dois territórios.

"É inquestionável que Ceuta e Melilla são parte da integridade territorial da Espanha", reiterou, nesta segunda-feira, o ministro espanhol de Relações Exteriores, José Manuel Albares, em declarações à TV pública.

A maioria dos cerca de 60.000 migrantes que chegaram na semana passada a Ceuta - em grande parte rodeando o pequeno posto fronteiriço que avança pelo mar - já retornaram ao Marrocos. Segundo o delegado do governo central em Ceuta, Miguel Ángel Pérez, cerca de 2.500 seguiam no enclave nesta segunda-feira.

No entanto, o presidente de Ceuta, Juan Jesús Vivas, situou este número entre 3.000 e 5.000.

No domingo, a AFP viu policiais e soldados espanhóis patrulhando e escoltando pequenos grupos de migrantes até a fronteira para devolvê-los ao Marrocos.

A ONG Save the Children informou, nesta segunda-feira, em um comunicado, que "cerca de mil meninos e meninas" recebem atendimento do sistema de proteção da cidade, que está muito acima de sua capacidade estrutural, de "menos de uma centena de vagas".

Jornalistas da AFP viram, no sábado, centenas de menores refugiados em uma área de armazéns perto da fronteira, afirmando que não tinham comida.

"Não houve nenhum informe que alertasse para a magnitude dos números aos quais foi preciso dar uma resposta", informou, nesta segunda à TV pública a ministra espanhola das Migrações, Elma Saiz.

"Naturalmente, esta resposta não teria sido possível sem a colaboração do Marrocos", ressaltou a respeito do trabalho conjunto.

Alguns analistas sugeriram que o Marrocos poderia ter permitido a travessia dos migrantes para exercer pressão diplomática sobre a Espanha, que recentemente melhorou suas relações com a vizinha Argélia, arqui-inimiga de Rabat.

As autoridades espanholas responsabilizaram quadrilhas de criminosos de difundir boatos sobre uma recente sentença do Tribunal Supremo espanhol sobre imigração, que permitiria uma travessia mais fácil para os migrantes.

Os ministros do Interior da UE programaram uma videoconferência para esta terça-feira para abordar a situação.

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P.Renard--JdB