Cacique Raoni tem melhora em seu estado de saúde, mas segue na UTI
O cacique Raoni Metuktire, um dos mais emblemáticos defensores da Amazônia, apresentou uma "melhora significativa" de seu estado de saúde, mas ainda deve permanecer internado em uma unidade de terapia intensiva, anunciaram seus médicos nesta terça-feira (16).
"Todos os indicativos infecciosos e inflamatórios têm apresentado uma melhora significativa, e ele está conversando, está lúcido", disse, durante coletiva de imprensa, o médico Douglas Yanai, diretor-técnico do Hospital e Maternidade Dois Pinheiros, em Sinop, Mato Grosso, onde o cacique convalesce desde o domingo.
Embora tenha ressaltado que o líder indígena, de 94 anos, seja "um homem muito forte", Yanai afirmou que seu quadro clínico ainda "inspira muito cuidado" e os médicos preveem mantê-lo na UTI.
"Ainda temos um longo caminho. Não há previsão de alta", acrescentou.
Raoni foi internado na tarde de domingo, ao apresentar um quadro de saúde "grave", com vômitos, dor abdominal e expectoração com sangue.
Ele chegou ao hospital com forte desidratação e uma oclusão gástrica, e por isso foi submetido a jejum.
O tratamento deu resultado: a saúde do cacique se encontra estável e ele está "respirando sem auxílio de aparelhos", informou a médica Anna Leticia Yanai.
O líder indígena, de 94 anos segundo os médicos, pois sua idade exata não é conhecida, passou vários dias hospitalizado em maio: primeiro para tratar uma hérnia e depois após ser diagnosticado com uma doença pulmonar obstrutiva crônica e problemas cardíacos.
O cacique continuou ativo, embora visivelmente debilitado nos últimos meses. Em abril, participou do Acampamento Terra Livre, a maior concentração anual de povos indígenas em Brasília.
Raoni ganhou notoriedade nos anos 1970, quando militava contra a rodovia transamazônica durante a ditadura militar (1964-1985). Fez seu primeiro giro internacional em 1989, após conhecer o músico britânico Sting, na Amazônia.
O.Meyer--JdB