Journal De Bruxelles - Dezenas de milhares de argentinos marcharam contra cortes de Milei nas universidades públicas

Dezenas de milhares de argentinos marcharam contra cortes de Milei nas universidades públicas
Dezenas de milhares de argentinos marcharam contra cortes de Milei nas universidades públicas / foto: Luis ROBAYO - AFP

Dezenas de milhares de argentinos marcharam contra cortes de Milei nas universidades públicas

Dezenas de milhares de pessoas marcharam nesta terça-feira (12) na Argentina para protestar contra os cortes orçamentários no ensino superior, depois que o governo de Javier Milei anunciou novos ajustes para o setor.

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Sob o lema "Milei cumpra a lei", uma multidão de estudantes e professores lotou a Praça de Maio para exigir o financiamento do sistema universitário.

Eles carregavam cartazes com inscrições como "os ignorantes querem que sejamos ignorantes".

A marcha federal universitária, a quarta desde que Milei assumiu em dezembro de 2023, ocorreu após a publicação, na segunda-feira, de uma modificação do orçamento com novos cortes nas áreas de educação e saúde em nome de sua política de equilíbrio fiscal.

"Estou aqui para defender a educação pública", disse à AFP Renata López, uma estudante de Letras de 18 anos, em frente à sede do governo.

Os universitários reivindicaram a aplicação de uma lei que obriga o governo a garantir recursos para o sistema universitário e atualizá-los pela inflação.

Essa legislação foi aprovada pelo Congresso, mas Milei a vetou. Posteriormente, os parlamentares ratificaram a norma, mas o governo considerou que ela vai contra sua política de equilíbrio fiscal e pediu a intervenção da Suprema Corte, que não tem prazo para decidir sobre o caso.

Sindicatos docentes denunciaram que, nos últimos anos, os salários sofreram uma queda de 40% e centenas de professores renunciaram aos cargos.

"Eu sofri uma perda de 30% do meu poder de compra", contou à AFP Natalia, uma funcionária administrativa da Universidade Nacional de Quilmes que preferiu não revelar o sobrenome por medo de represálias.

A faculdade de Ciências Exatas da Universidade de Buenos Aires (UBA) está em greve há três meses. Autoridades dos hospitais universitários denunciaram que eles se encontram à beira do colapso.

"A única lei que vamos cumprir é a do orçamento", sustentou o subsecretário de Políticas Universitárias, Alejandro Álvarez, na segunda-feira à imprensa.

"Há uma demanda genuína por salários que nós podemos entender, mas, pelas características que tem, está fortemente influenciada pela política", acrescentou.

A.Parmentier--JdB