Submarino dos EUA afunda navio de guerra do Irã em frente ao Sri Lanka
Um submarino americano afundou um navio de guerra iraniano em frente à costa do Sri Lanka, no Oceano Índico, informou o Pentágono nesta quarta-feira (4), no quinto dia de uma guerra no Oriente Médio que continua se expandindo.
Após incendiar a região com ataques contra Israel e posições americanas no Golfo, o Irã atacou, nesta quarta, grupos opositores no Curdistão iraquiano e lançou um míssil que foi interceptado pela Otan quando se dirigia para a Turquia.
Os ataques às monarquias petrolíferas do Golfo e a situação no estratégico Estreito de Ormuz, que Teerã afirma controlar, fizeram disparar os preços dos hidrocarbonetos nos primeiros dias da guerra, mas as cotações se estabilizaram nesta quarta-feira.
- Expansão -
O conflito tem repercussões a milhares de quilômetros de Teerã: um submarino americano torpedeou e afundou um navio de guerra iraniano em frente à costa do Sri Lanka, segundo o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, em um episódio inédito desde a Segunda Guerra Mundial.
As autoridades do Sri Lanka informaram ter recuperado os corpos de 87 marinheiros iranianos.
O Iraque também foi envolvido na crise: na região do Curdistão iraquiano, o Irã atacou grupos armados curdos e hostis à República Islâmica. Um combatente morreu, segundo um porta-voz do Partido da Liberdade do Curdistão (PAK).
As defesas da Otan foram ativadas para interceptar um míssil disparado do Irã que ameaçava a Turquia. Um funcionário turco afirmou, no entanto, que o alvo provavelmente era uma base militar no Chipre, já atingida por um ataque iraniano no início da semana.
Nesta quarta-feira, o secretário de Estado americano Marco Rubio considerou "os ataques ao território soberano da Turquia inaceitáveis".
Além disso, o Exército iraniano ameaçou atacar embaixadas israelenses em todo o mundo se Israel atingir a missão diplomática do Irã no Líbano.
O presidente francês, Emmanuel Macron, falou nesta quarta com seu colega americano Donald Trump e com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e instou o último a "preservar a integridade territorial do Líbano e se abster de uma ofensiva terrestre".
Em uma mensagem no X, na qual relata suas conversas com Netanyahu e com o presidente libanês Joseph Aoun e o primeiro-ministro Nawaf Salam, Macron diz ter "reafirmado a necessidade de que Hezbollah cesse de imediato os seus ataques contra Israel e além".
- 'Dormimos com medo' -
Pelo quinto dia, os bombardeios continuaram em Teerã e outras partes do Irã. Na capital, de 10 milhões de habitantes, parte da população permanece confinada ou fugiu.
Nos dois primeiros dias que se seguiram aos ataques, cerca de 100 pessoas deixaram a capital iraniana, informou o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados, Acnur, nesta quarta-feira.
"Dormimos no chão, com a cabeça protegida [...] à mesma distância das janelas do quarto e da sala, para ficar a salvo caso as ondas de choque quebrem os vidros", contou Amir, de 50 anos.
Situação semelhante ocorre em outras regiões do país, onde o Exército americano afirma ter atingido mais de dois mil alvos em uma campanha de maior escala que a invasão ao Iraque de Saddam Hussein em 2003.
"Dormimos com medo e acordamos estressados. A situação é bastante horrível", disse à AFP uma mulher chamada Sanaz, que chegou recentemente à Turquia após fugir de sua cidade, Tabriz, no noroeste do país.
A agência oficial iraniana Irna afirma que 1.045 pessoas, entre civis e militares, morreram na ofensiva, um balanço que a AFP não conseguiu confirmar de forma independente.
As autoridades iranianas buscam um sucessor para o líder supremo Ali Khamenei, morto no sábado no início da ofensiva. Um funeral de Estado estava previsto em Teerã nesta quarta-feira, mas foi adiado devido aos bombardeios incessantes contra a cidade.
Israel advertiu que quem for escolhido se tornará "um alvo".
Por sua vez, o presidente americano está "considerando" que Washington tenha um papel no Irã após um eventual fim da guerra, informou a Casa Branca.
- Estreito de Ormuz 'sob controle', garante Irã -
Nessa passagem estratégica, por onde transitam cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo, o tráfego de petroleiros caiu 90% em uma semana, informou a empresa de análise Kpler.
- Israel avança no Líbano -
Israel prossegue com a ofensiva no Líbano, país envolvido no conflito após o movimento pró-iraniano Hezbollah atacar o território israelense.
O Exército israelense atacou o setor do palácio presidencial perto de Beirute e outras áreas ao sul da capital, além de redutos do Hezbollah. Também lançou operações terrestres e avançou sobre vários vilarejos no sul do país, que deram lugar a confrontos "diretos" entre milicianos do Hezbollah e soldados israelenses na cidade de Khiam, a 6 km da fronteira com Israel, segundo o movimento pró-iraniano.
"Estamos enfrentando uma agressão [...] Nossa opção é confrontá-la até o sacrifício máximo, e não nos renderemos", declarou o líder do Hezbollah, Naim Qassem, em seu primeiro discurso desde o início dos novos enfrentamentos. "Para nós, isto é uma defesa existencial", acrescentou.
Ao menos 72 pessoas morreram e 83 mil tiveram que deixar suas casas devido aos bombardeios israelenses, declararam as autoridades libanesas nesta quarta-feira.
Os Estados Unidos pediram que seus cidadãos deixem a região se conseguirem encontrar voos comerciais, o que se tornou quase impossível devido a cancelamentos em massa.
A guerra já provocou seis baixas no Exército americano.
Em Israel, onde as sirenes soaram várias vezes nesta quarta-feira, dez pessoas morreram em ataques iranianos, segundo os serviços de emergência.
Nos países do Golfo, os bombardeios iranianos deixaram 13 mortos, entre eles uma menina de 11 anos atingida por estilhaços no Kuwait.
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E.Heinen--JdB