Journal De Bruxelles - Senado americano examina limites aos poderes de Trump na guerra contra Irã

Senado americano examina limites aos poderes de Trump na guerra contra Irã
Senado americano examina limites aos poderes de Trump na guerra contra Irã / foto: SAUL LOEB - AFP

Senado americano examina limites aos poderes de Trump na guerra contra Irã

O Senado dos Estados Unidos planeja votar nesta quarta-feira (4) uma resolução para limitar os poderes do presidente Donald Trump na guerra contra o Irã, embora os líderes da maioria republicana assegurem que o texto está condenado ao fracasso.

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A votação ocorrerá no quinto dia de um conflito em rápida expansão regional, no qual já morreram o líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, e várias figuras de alto escalão em Teerã, assim como soldados americanos.

A resolução bipartidária, apresentada pelo democrata Tim Kaine e pelo republicano Rand Paul, exigiria a retirada das forças americanas das hostilidades contra o Irã, a menos que o Congresso autorize a campanha.

O Senado é composto por 53 republicanos e 47 democratas. Se todos os senadores votarem, os democratas precisam de pelo menos quatro republicanos que se somem a Paul. Um democrata, o centrista da Pensilvânia John Fetterman, já afirmou que se oporá.

A resolução busca afirmar a autoridade do Congresso frente a um presidente que ampliou o controle do poder Executivo sobre o Legislativo desde seu retorno à Casa Branca em janeiro de 2025.

No centro do debate sobre a legalidade da ofensiva ordenada por Trump está a questão da "ameaça iminente". Isso porque, embora o Congresso seja o único habilitado pela Constituição a declarar guerra, uma lei de 1973 permite ao presidente iniciar uma intervenção militar limitada para responder a uma situação de emergência criada por um ataque contra os Estados Unidos.

No vídeo em que anunciou a operação no sábado, o mandatário republicano ressaltou uma ameaça "iminente", segundo ele, representada pelo Irã, mas não conseguiu convencer a oposição democrata.

"Nessa sala não foi apresentada nenhuma prova (...) que sugerisse que os Estados Unidos enfrentavam uma ameaça iminente por parte do Irã", declarou Kaine à AFP após uma sessão informativa confidencial na terça-feira com autoridades do governo.

Mesmo em caso de aprovação, é improvável que a resolução sobreviva a um veto presidencial, já que então seriam necessários dois terços dos votos em ambas as câmaras.

Os democratas reconhecem que o texto enfrenta grandes obstáculos, mas consideram essencial obrigar os legisladores a assumir uma posição pública sobre a guerra.

D.Verstraete--JdB