Journal De Bruxelles - Primeiro acidente da F1 no ano gera debate sobre motores híbridos

Primeiro acidente da F1 no ano gera debate sobre motores híbridos
Primeiro acidente da F1 no ano gera debate sobre motores híbridos / foto: Toshifumi KITAMURA - AFP

Primeiro acidente da F1 no ano gera debate sobre motores híbridos

O primeiro acidente da temporada de Fórmula 1, ocorrido durante o Grande Prêmio do Japão, e que envolveu o jovem piloto britânico Oliver Bearman, gerou uma polêmica neste domingo (29) a respeito dos novos motores híbridos, que já eram um tema controverso dentro do paddock. Bearman, de 20 anos, corria com o acelerador no fundo, pilotando seu carro da Haas a mais de 300 km/h no circuito de Suzuka, enquanto o Alpine de Franco Colapinto trafegava 50 km/h mais devagar.

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O britânico conseguiu desviar do piloto argentino, mas acabou colidindo com uma barreira de segurança. Bearman sofreu uma contusão no joelho, e seu carro ficou seriamente danificado.

Carlos Sainz Jr, piloto espanhol da Williams e representante de seus companheiros junto aos órgãos dirigentes do automobilismo, manifestou imediatamente seu protesto: "Nós havíamos alertado que acidentes desse tipo aconteceriam, mais cedo ou mais tarde".

"Felizmente, havia uma área de escape. Mas imagine só um acidente como esse contra um muro em Baku, Singapura ou Las Vegas", observou ele, se referindo a circuitos expressamente adaptados para corridas de Grande Prêmio bem no coração de uma cidade, tal como Mônaco.

Em um comunicado, Bearman afirmou estar "perfeitamente bem", mas ressaltou que "a enorme diferença de velocidade, cerca de 50 km/h, decorre, em parte, dos novos regulamentos" referentes aos motores, que são 50% elétricos e 50% de combustão interna.

"É preciso um certo tempo para se adaptar, mas sinto que não tive espaço suficiente na pista, dada essa enorme diferença de velocidade", explicou ele.

- Prováveis reuniões em abril -

Os novos regulamentos da Federação Internacional de Automobilismo (FIA) exigem um tipo diferente de motor híbrido para 2026, com o objetivo de incentivar as ultrapassagens durante as corridas.

No entanto, essa medida dividiu a comunidade da F1 devido à complexidade da gestão da energia da bateria e às significativas diferenças de velocidade que ela pode gerar.

Os carros contam com um modo de "ultrapassagem" e um botão de "impulso" projetado para aumentar a potência elétrica e facilitar as ultrapassagens. Porém, isso gera o risco de descarregar a bateria, levando a uma perda de velocidade e de ser ultrapassado durante a frenagem para recarregar.

Na quinta-feira, a FIA anunciou "ajustes" na gestão da potência elétrica durante as sessões de classificação e alertou neste domingo que "quaisquer ajustes adicionais [para a corrida] em relação à gestão de energia exigem simulação e análise técnica meticulosas" por parte dos engenheiros.

Segundo o site Motorsport.com, a FIA, a F1, as equipes e os pilotos devem aproveitar o mês de abril, período em que os GPs na região do Golfo foram cancelados devido à guerra, para realizar reuniões sobre segurança e esses novos motores híbridos.

W.Lejeune--JdB