Journal De Bruxelles - Nick Paley transforma medos de infância em suspense na série 'Fingida'

Nick Paley transforma medos de infância em suspense na série 'Fingida'
Nick Paley transforma medos de infância em suspense na série 'Fingida' / foto: Unique Nicole - AFP

Nick Paley transforma medos de infância em suspense na série 'Fingida'

Um adolescente acorda após um acidente de trânsito convencido de que sua mãe foi substituída por uma impostora, mas quase ninguém acredita nele.

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A trama "Fingida" é uma série que estreou nesta semana no Disney+, tendo origem em um medo de infância de seu criador e roterista, Nick Paley, carregado durante anos.

"Quando era criança, tinha um medo muito profundo de perder a minha mãe", contou à AFP. "Eu era obcecado com a possibilidade de coisas ruins acontecerem com ela e com a ideia de me separar dela."

"Havia algo emocional que eu queria explorar", acrescentou Paley, que também dirige a série.

"Fingida" é protagonizada por Sam Nivola, que interpreta Sonny, um adolescente que mantém uma relação muito próxima com sua mãe solo, Ellen (Connie Britton).

Ao recobrar a consciência após o acidente, Sonny não reconhece a mulher que afirma ser Ellen. Não apenas porque ela está diferente, mas também porque não parece conhecer os códigos e as referências que compartilhavam.

Paley, corroteirista de "Marcel, a Concha de Sapatos" (2021), curta-metragem de animação narrado em formato de falso documentário e indicado ao Oscar, não enquadra "Fingida" em um único gênero.

"É uma trama que parece muito próximo da vida real. Para mim, a vida real mistura momentos engraçados, inquietantes e dramáticos, e todos esses elementos acabam funcionando juntos", explicou.

Paley afirmou que Britton foi fundamental para interpretar uma suposta impostora com uma ternura que desconcerta tanto Sonny quanto o público.

"Conversamos muito sobre como abordar essa dualidade. Como fazer com que pareça uma mãe preocupada que tenta ajudar o filho que está perdendo a razão, ou uma impostora que esconde algo muito sombrio e verdadeiramente perturbador", ressaltou o cineasta.

- Realidades alternativas -

Para Paley, Britton, que atuou em séries como "Friday Night Lights" e "The White Lotus", era uma escolha óbvia para o elenco.

"Ela encarna, de certa forma, a mãe ideal do imaginário americano", comentou.

A série se passa em uma pequena comunidade fictícia no Oregon, no noroeste dos Estados Unidos. A região se destaca por suas montanhas imponentes e suas paisagens florestais, "um bom complemento" para a história, segundo Paley.

"Há tanto drama nas montanhas e na neblina que logo surge a sensação de que há algo mágico e estranho no ar", disse.

A produção aborda, ainda que de forma indireta, as teorias da conspiração e as versões alternativas da verdade que podem surgir nas redes sociais.

"Estamos vivendo em um mundo que se parece muito com aquele que conhecemos, mas que na realidade, é bastante diferente", afirmou Paley.

"E muitas vezes, devido aos algoritmos e aos fluxos de informação que cada pessoa recebe, vemos a realidade de uma forma ligeiramente diferente daquela como os outros a veem, e acaba sendo difícil identificar quais mecanismos nos separam", acrescentou.

"Assim, a experiência do protagonista funciona como uma alegoria muito boa".

Y.Callens--JdB