'Estou triste': crianças tentam lidar com tragédia após ataque a tiros em escola do Oregon
"Ele disse que não conseguia dormir porque ouvia o barulho dos tiros", contou à AFP Liz, tia de um menino de sete anos que estava na escola primária Silver Rail, na cidade americana de Bend, no Oregon, quando um adolescente abriu fogo e matou quatro pessoas na quinta-feira (15).
O menino passou a noite após o ataque recebendo o apoio da família. Assim como ele, outras crianças da cidade tentam compreender a tragédia, enquanto pais e moradores buscam maneiras de conversar com os filhos sobre o ocorrido.
Griffin J. John II, de 16 anos, invadiu a escola pouco depois do meio-dia e disparou contra uma turma de estudantes com necessidades especiais, matando três crianças de 5, 8 e 11 anos e uma professora.
Outra aluna, de sete anos, e uma segunda professora ficaram feridas, mas estão em condição estável.
O adolescente, que morava muito perto da escola, havia frequentado a mesma turma anos antes, confirmaram as autoridades, que investigam a motivação do ataque.
Um pai que passava em frente à Silver Rail ouviu os disparos, parou o carro, pegou sua arma e entrou na escola, onde atirou contra o agressor, que também enfrentou resistência física de uma professora.
Centros de arte, restaurantes e parques de Bend, cidade de cerca de 100 mil habitantes no centro do estado do Oregon, abriram suas portas e prepararam uma programação especial para o fim de semana voltada às crianças.
Pais e moradores da cidade, famosa por suas paisagens montanhosas e atividades ao ar livre, estão abalados pela tragédia e buscam maneiras de conversar com seus filhos sobre o ocorrido.
- Como falar sobre a tragédia -
Conversar é fundamental após um acontecimento desse tipo, explicou a médica Logan Clausen à CNN.
"Conversem com eles sobre o que sabem, sobre o que sentem. Vocês podem corrigir delicadamente informações incorretas", acrescentou.
Jeff Michaels, pai de três crianças, afirmou que ele e a esposa deixaram claro aos filhos que não há problema em falar sobre o ocorrido e que podem fazer perguntas.
"Queremos saber como eles se sentem", disse.
"Eles querem saber por que isso aconteceu, por que as pessoas estão tristes", comentou, abraçando uma das filhas durante uma vigília na noite de sexta-feira.
Dezenas de pessoas participaram do encontro em uma das ruas de Bend, muitas delas acompanhadas de crianças de diferentes idades.
"Minha mãe chorou muito, e eu também estou triste", disse à AFP uma menina de oito anos que compareceu à vigília com a tia.
A criança estuda em outra escola, mas, quando os alertas sobre o ataque a tiros começaram a circular no noticiário, sua mãe foi buscá-la e a levou para casa, onde contou o que havia acontecido.
"Depois do que aconteceu, ela ficava me dizendo que tinha sentido muito a minha falta", contou a menina, ao lado da tia.
"Minha irmã deixou que ela fizesse perguntas e foi respondendo à medida que surgiam as dúvidas. Ela queria saber o que havia acontecido", comentou a tia, que pediu para não ser identificada.
"Ela está triste", acrescentou. "Ela disse que está triste pelos pais".
Y.Simon--JdB