Journal De Bruxelles - Começa novo julgamento sobre morte de Maradona, um ano após escândalo

Começa novo julgamento sobre morte de Maradona, um ano após escândalo
Começa novo julgamento sobre morte de Maradona, um ano após escândalo / foto: TOMAS CUESTA - AFP

Começa novo julgamento sobre morte de Maradona, um ano após escândalo

O novo julgamento pela morte do lendário jogador de futebol Diego Maradona começa nesta terça-feira (14) na Argentina após a anulação de um primeiro há um ano, no qual se descobriu que uma das juízas participava de um documentário clandestino sobre o processo.

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O escândalo, que derrubou o primeiro julgamento em maio de 2025, anulou 20 audiências judiciais e 44 depoimentos colhidos ao longo de dois meses e meio.

O segundo processo, no qual serão ouvidas cerca de 120 testemunhas, buscará determinar a responsabilidade da equipe médica de Maradona, mas com um novo enfoque do Ministério Público.

"O julgamento fracassado e o fato de que as defesas tenham conhecido nossos métodos nos obrigou a mudar estratégias, mas sempre com a convicção firme de que impediremos a impunidade dos responsáveis", disse à AFP o promotor Patricio Ferrari.

O ícone do futebol argentino morreu aos 60 anos em 25 de novembro de 2020 devido a uma crise cardiorrespiratória e um edema pulmonar em uma residência privada em Tigre, ao norte de Buenos Aires, onde se recuperava de uma neurocirurgia.

Sete profissionais de saúde - médicos, psicólogos, enfermeiros – que o atendiam na época são acusados de homicídio com dolo eventual, figura que implica que eles tinham consciência de que suas ações podiam ocasionar a morte do ex-jogador.

As defesas sustentam que ele faleceu por causas naturais. "Se há algo que ficou descartado é um plano criminoso doloso para matar Maradona. Quem continuar sustentando isso está sendo cruel com a família e com os réus", disse no domingo Vadim Mischanchuk, advogado da psiquiatra Agustina Cosachov, à rádio Con Vos.

O processo em San Isidro, nos arredores de Buenos Aires, contará com 30 audiências duas vezes por semana e deve ocorrer pelo menos até julho.

A notícia da morte do campeão mundial com a Argentina em 1986 levou centenas de milhares de pessoas às ruas em um luto coletivo em meio à pandemia de covid-19.

- "Justiça divina" -

Durante o midiático julgamento em 2025, foram divulgadas imagens de Julieta Makintach, uma das três juízas do tribunal, como protagonista de um documentário clandestino sobre o mesmo processo do qual fazia parte.

A magistrada foi afastada, o julgamento anulado e o escândalo dominou as manchetes na Argentina e no exterior.

Intitulado "Justiça Divina", o documentário mostrava Makintach caminhando pelos corredores do tribunal com música eletrônica ao fundo e depois sendo entrevistada em seu gabinete.

A juíza foi destituída em novembro em um julgamento político.

"Lixo, você me expulsou porque estava tudo roteirizado", gritou-lhe um dos advogados de defesa, Rodolfo Baqué, que foi expulso da sala na primeira audiência por ordem de Makintach sob o argumento de não estar autorizado.

Ao longo do primeiro processo, foram questionadas tanto as condições da internação quanto a pertinência de atender o ex-jogador de futebol em sua residência em Tigre, um acordo firmado entre a família e a equipe médica após a neurocirurgia.

A equipe médica levou adiante um "plano desumano de resultado eficaz", disse o advogado de Dalma e Gianinna Maradona, Fernando Burlando. O astro do futebol foi "assassinado" e "em qualquer hospital precário teriam salvado a vida dele", segundo a filha de Maradona.

"Todos acreditávamos que tinha sido uma morte natural. Até que três dias depois ligam do Ministério Público e nos dizem que possivelmente o tinham matado. E aí começou a investigação", lembrou Jana, quarta dos cinco filhos de Maradona, à imprensa argentina em março.

As defesas têm diferentes estratégias para cada acusado. Os principais são, além de Cosachov, o médico de confiança Leopoldo Luque e o psicólogo Carlos Díaz.

Os acusados enfrentam penas de 8 a 25 anos de prisão. Uma oitava acusada será julgada em um processo separado.

T.Bastin--JdB