Journal De Bruxelles - Presidente da CIDH vê elementos de trabalho forçado em missões médicas de Cuba

Presidente da CIDH vê elementos de trabalho forçado em missões médicas de Cuba
Presidente da CIDH vê elementos de trabalho forçado em missões médicas de Cuba / foto: Lionel Chamoiseau - AFP/Arquivos

Presidente da CIDH vê elementos de trabalho forçado em missões médicas de Cuba

O presidente da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), Edgar Stuardo Ralón, afirmou nesta terça-feira (7), em entrevista à AFP, que existem elementos para classificar práticas realizadas nas missões médicas internacionais de Cuba como trabalho forçado e tráfico de pessoas.

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Em relatório divulgado hoje, a CIDH denuncia violações de direitos humanos nesses programas, como a retenção de salários dos participantes, ameaças de penas de até oito anos de prisão para quem abandoná-los e confisco de passaportes.

Essas práticas contêm "elementos conectivos para dizer que aqui existe trabalho forçado e tráfico de pessoas", disse Ralón. "É uma situação de impotência dramática que desconhece o conceito de trabalho e tratamento dignos, como se os participantes fossem tratados de forma totalmente abusiva, obrigados a seguir regras, convertidos em entes que não têm o mínimo inerente a toda pessoa."

Criadas na década de 1960 pelo governo de Fidel Castro, com um propósito de solidariedade e promoção no exterior, as missões médicas tomaram um rumo mais lucrativo a partir dos anos 1990, e hoje são a principal fonte de receita da ilha, destaca a CIDH em seu relatório.

Para Ralón, embora Cuba seja o principal responsável por essa situação, os países que recebem os profissionais de saúde também têm responsabilidade: "O Estado receptor não pode dizer: 'Como se trata de um convênio, eu me isento de verificar o respeito aos direitos humanos.'"

Também relator da CIDH para Cuba, Ralón apontou que os abusos documentados tendem a se agravar em países com garantias institucionais menores e restrições aos direitos fundamentais. Segundo ele, desde o começo da elaboração do relatório, três ou quatro países latino-americanos decidiram deixar de recorrer às missões cubanas, entre eles Guatemala e El Salvador.

Ralón ressaltou que as práticas denunciadas no relatório se inserem em um contexto de ausência de direitos em Cuba. "O aspecto central é que não existe na ilha democracia, respeito às liberdades básicas, e isso cria as condições de violações sistemáticas."

Diante de um governo cubano que não coopera com os mecanismos interamericanos, Ralón disse que o relatório busca ao menos manter viva a agenda sobre a ilha e dar voz aos que defendem os direitos humanos dentro e fora dela.

"Como internamente isso não é possível, que essas vozes influenciem os tomadores de decisão, para permitir o funcionamento dos mecanismos do direito internacional e uma transição democrática", destacou o relator.

U.Dumont--JdB