Journal De Bruxelles - Irã endureceu condições apresentadas aos EUA para encerrar a guerra, diz Guarda Revolucionária

Irã endureceu condições apresentadas aos EUA para encerrar a guerra, diz Guarda Revolucionária
Irã endureceu condições apresentadas aos EUA para encerrar a guerra, diz Guarda Revolucionária / foto: - - AFP/Arquivos

Irã endureceu condições apresentadas aos EUA para encerrar a guerra, diz Guarda Revolucionária

O Irã endureceu suas condições para pôr fim à guerra com os Estados Unidos, declarou à AFP, nesta terça-feira (22), o porta-voz da Guarda Revolucionária, Hossein Mohebi, que acredita que Washington "não tem outra opção" além de aceitar suas exigências.

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Em junho, o Irã firmou com os Estados Unidos um memorando de entendimento que traçava o caminho para uma solução permanente do conflito, mas o documento nunca foi implementado. Cada uma das partes acusa a outra de descumpri-lo.

"Eles romperam o acordo e cometeram outro ato atroz. Por isso, endurecemos nossas condições", explicou Hossein Mohebi em uma rara entrevista concedida em Teerã.

Se os Estados Unidos continuarem nesse rumo, "apenas tornarão as coisas mais difíceis para si mesmos", acrescentou.

"Não somos brinquedos deles, e eles não podem violar unilateralmente um acordo que eles mesmos assinaram quando bem entenderem", afirmou.

Durante a entrevista, Mohebi apresentou a visão do Irã sobre a guerra no Oriente Médio, iniciada há quase sete meses, e as perspectivas de uma solução em meio à estagnação dos esforços diplomáticos.

- 'Vencemos' -

"Os Estados Unidos não têm outra opção além de aceitar nossas condições", acrescentou o porta-voz.

"Acreditamos que vencemos esta guerra e, neste momento, estamos consolidando essa vitória para transformá-la em uma força de dissuasão total", advertiu.

No memorando de entendimento de junho, o Irã pediu que os Estados Unidos suspendessem as sanções contra seu setor petrolífero, encerrassem o bloqueio naval, descongelassem os recursos iranianos confiscados no exterior e pusessem fim à guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano.

Agora, porém, o Irã quer, segundo Mohebi, a liberação antecipada da totalidade dos 24 bilhões de dólares (R$ 122,8 bilhões) em ativos iranianos congelados antes das negociações, em vez de uma liberação por etapas.

O Iêmen também figura entre as exigências.

"A questão do Iêmen não estava na pauta do acordo anterior. Agora, exigimos que a suspensão do bloqueio ao Iêmen seja incluída no acordo", afirmou o porta-voz, em referência às restrições impostas há uma década pela coalizão liderada pela Arábia Saudita aos portos e aeroportos administrados pelos houthis, grupo aliado do Irã.

Recentemente, os houthis assumiram o controle de áreas do estratégico estreito de Bab el-Mandeb, o que representa uma ameaça à navegação, e declararam um bloqueio marítimo aos portos sauditas.

Mohebi insistiu que os houthis agem de forma independente em Bab el-Mandeb: o grupo "toma suas próprias decisões e não precisa coordenar nada conosco".

- "Uma postura ofensiva" -

A fase mais intensa da guerra no Oriente Médio parece ter passado, mas os ataques esporádicos, principalmente perto do Estreito de Ormuz, fundamental para o transporte de hidrocarbonetos a partir do Golfo, prejudicaram as perspectivas de paz.

Desde o início da guerra, as autoridades iranianas exigem que os navios que atravessam o Estreito de Ormuz se coordenem com elas. Os países do Golfo buscaram rotas alternativas.

"Não haverá alternativa ao estreito do Golfo Pérsico por pelo menos os próximos 20 anos. Afinal, não se trata apenas de petróleo", mas também de uma rota vital para os fertilizantes, afirmou Mohebi.

Nas últimas semanas, os Estados Unidos parecem ter mudado de estratégia. Agora, o país aposta no que chama de "asfixia econômica". A estratégia tem como alvo, por exemplo, bancos estrangeiros por supostos vínculos com Teerã e companhias aéreas iranianas.

"Os Estados Unidos não alcançarão seus objetivos por meio de um bloqueio econômico, embora ele nos prejudique, e, sem dúvida, vamos retaliar", afirmou Mohebi.

O porta-voz garantiu que o Irã "não busca ampliar a guerra", mas intensificará sua resposta se os Estados Unidos lançarem novos ataques.

"Se agirem de maneira imprudente e a história se repetir, nossa resistência sem dúvida se intensificará, fortalecida pela experiência adquirida", afirmou.

"Desta vez, não nos limitaremos a retaliar. Adotaremos uma postura ofensiva, e os Estados Unidos se arrependerão de suas ações e sofrerão uma humilhação maior do que nunca", previu o porta-voz.

Mohebi afirmou que os Estados Unidos tentaram entrar em contato com a Guarda Revolucionária, mas a organização não aceitou.

"Recusamos qualquer contato. Enquanto o inimigo continuar hostil, nossos contatos com ele se limitarão às armas", declarou à AFP.

E.Goossens--JdB