Coreia do Norte e Belarus assinam tratado de cooperação durante visita de Lukashenko
Os líderes da Coreia do Norte e de Belarus assinaram nesta quinta-feira um tratado de "amizade e cooperação", que marca uma "nova fase" na relação entre os dois países, que têm governos próximos da Rússia e contrários ao Ocidente, informaram veículos estatais.
O presidente bielorrusso, Alexander Lukashenko, iniciou na véspera sua primeira visita ao país asiático, a convite do líder Kim Jong Un. "As relações amistosas entre nossos Estados, nascidas na era da União Soviética, nunca foram interrompidas. Hoje, graças a um desenvolvimento integral e sustentado, entramos em uma fase fundamentalmente nova", declarou, citado pela agência estatal de notícias BelTA.
Lukashenko acrescentou que, "nas realidades modernas da transformação global, no momento em que as grandes potências mundiais ignoram abertamente e violam as normas do direito internacional, os países independentes devem cooperar de maneira mais estreita e consolidar seus esforços para proteger a soberania e melhorar o bem-estar de seus cidadãos".
"Somos contrários à pressão ilegítima do Ocidente sobre Belarus, e expressamos nosso apoio e nossa compreensão em relação às medidas tomadas pela liderança bielorrussa para garantir a estabilidade social e política e o desenvolvimento econômico", disse Kim, citado pela agência.
A KCNA, agência de notícias estatal norte-coreana, confirmou nesta sexta-feira (27) a assinatura do tratado pelos líderes.
Os dois países apoiam a Rússia na guerra contra a Ucrânia e enfrentam sanções ocidentais, ao mesmo tempo que são acusados de graves violações dos direitos humanos.
A BelTA divulgou imagens em que Kim e Lukashenko aparecem se abraçando em uma cerimônia de boas-vindas, que incluiu salvas de artilharia e um desfile de soldados na praça Kim Il Sung.
O ministro bielorrusso das Relações Exteriores, Maxim Ryzhenkov, afirmou que, além do tratado de amizade, as partes concordariam em cooperar em uma ampla gama de setores, da agricultura à informação, segundo a BelTA. Ele reconheceu que o comércio entre os dois países é "modesto", mas destacou que há margem para crescimento na exportação de produtos farmacêuticos e de alimentos bielorrussos para a Coreia do Norte.
Ryzhenkov destacou, ainda, que seu país tem interesse em importar cosméticos norte-coreanos, conhecidos por sua qualidade e por seus bons preços.
- Aliados de Moscou -
Belarus e Coreia do Norte fazem parte de uma iniciativa liderada pelo presidente chinês, Xi Jinping, e pelo presidente russo, Vladimir Putin, para criar o que chamam de "mundo multipolar" que desafie a hegemonia ocidental.
A Coreia do Norte enfrenta uma série de sanções ocidentais, a maioria devido ao seu programa de armas nucleares e mísseis, mas também por seu apoio à Rússia na guerra contra a Ucrânia. Analistas apontam que a Coreia do Norte recebeu em troca ajuda financeira, tecnologia militar, alimentos e energia por parte da Rússia.
Putin visitou o país em 2024. Esse apoio ajudou Pyongyang a reduzir a dependência de sua principal base de ajuda, a China.
Organizações internacionais de direitos humanos acusam a Coreia do Norte de torturas, execuções públicas, trabalho forçado e restrições severas à liberdade de expressão e de movimento.
Lukashenko, por sua vez, aproximou Minsk ainda mais da órbita russa e reprimiu a dissidência durante as três décadas em que está no poder.
Os países ocidentais adotaram sanções contra Belarus pelo papel do país em facilitar a invasão da Rússia ao território da Ucrânia, assim como pela repressão durante os protestos de 2020.
C.Bertrand--JdB