

Flotilha com Greta Thunberg zarpa de Barcelona com ajuda para Gaza
Com o lema "Quando o mundo fica em silêncio, nós zarpamos", uma flotilha com ajuda humanitária e ativistas como Greta Thunberg partiu neste domingo (31) de Barcelona para tentar "romper o cerco ilegal a Gaza", segundo os organizadores.
Com bandeiras palestinas, quase 20 embarcações com centenas de pessoas a bordo deixaram o porto pouco depois das 15h30 locais (10h30 de Brasília).
As embarcações pretendem "chegar a Gaza, entregar a ajuda humanitária, anunciar a abertura de um corredor humanitário e depois levar mais ajuda, e assim também terminar de romper o bloqueio ilegal e desumano de Israel", afirmou Thunberg em entrevista à AFPTV no sábado.
A missão, chamada Global Sumud Flotilla, "é diferente" das anteriores porque "agora somos muito mais barcos, somos muito mais pessoas, e esta mobilização é histórica", declarou a ativista de 22 anos.
A Global Sumud Flotilla ("sumud" significa resiliência em árabe) é definida em seu site como uma organização "independente" e "não afiliada a nenhum governo, nem partido político".
Dezenas de embarcações adicionais que zarparão da Tunísia e de outros portos mediterrâneos se unirão à esquadra em 4 de setembro. A organização prevê manifestações e "ações simultâneas" em 44 países, segundo Thunberg.
"Esta história não tem nada a ver com a missão que estamos prestes a embarcar. A história aqui é sobre a Palestina. A história aqui é como as pessoas estão sendo deliberadamente privadas dos meios mais básicos para sobreviver. A história aqui é como o mundo consegue ficar em silêncio", insistiu a sueca neste domingo em uma entrevista coletiva no porto de Barcelona.
A missão também tem a participação de ativistas de dezenas de países, artistas como o ator irlandês Liam Cunningham e políticos, incluindo a ex-prefeita de Barcelona Ada Colau.
"O fato de a flotilha estar acontecendo é uma demonstração do fracasso do mundo em defender o direito internacional e o direito humanitário. É um período vergonhoso, vergonhoso na história do nosso mundo e deveríamos estar coletivamente envergonhados", disse Liam Cunningham.
"Entendemos que esta é uma missão legal sob o direito internacional", declarou a deputada portuguesa de extrema esquerda Mariana Mortágua, que acompanha a iniciativa.
- Estado de fome -
O governo da Espanha "vai mobilizar toda sua proteção diplomática e consular para proteger nossos cidadãos" que viajarem na flotilha, afirmou no sábado o ministro das Relações Exteriores, José Manuel Albares.
A nova iniciativa acontece após uma recente tentativa fracassada de levar ajuda a Gaza, que teve a participação de Thunberg. O veleiro "Madleen", com 12 ativistas franceses, alemães, brasileiros, turcos, suecos, espanhóis e neerlandeses a bordo, foi interceptado em 9 de junho pelas forças israelenses 185 quilômetros ao oeste da costa de Gaza. Posteriormente, os ativistas foram expulsos.
A Classificação Integrada de Fases da Segurança Alimentar (IPC, na sigla em inglês), um organismo apoiado pela ONU, declarou na semana passada um estado de fome na Faixa de Gaza, território devastado pela guerra, depois que seus especialistas alertaram que 500.000 pessoas enfrentam uma situação "catastrófica".
O ataque do grupo islamista Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023, que desencadeou a guerra, matou 1.219 pessoas, a maioria civis, segundo um balanço da AFP baseado em números oficiais.
Em Gaza, a ofensiva israelense matou mais de 63.400 pessoas, a maioria civis, segundo dados do Ministério da Saúde do território palestino - governado pelo Hamas -, considerados confiáveis pela ONU.
S.Vandenberghe--JdB