Uefa ameaça, por unanimidade, boicotar as competições da Fifa
Diante do plano da Fifa de criar uma entidade comercial aberta a investidores privados, a Uefa, com o apoio unânime de seus membros, ameaçou nesta quinta-feira (30) boicotar futuras Copas do Mundo e outras competições da Fifa.
A entidade que rege o futebol europeu e suas 55 associações-membro "rejeitam unânime e claramente a proposta da Fifa de transferir participações acionárias na Copa do Mundo e em outras competições da Fifa para investidores privados", anunciou a organização em um comunicado após uma reunião de emergência.
"Após a discussão de hoje, nenhuma seleção nacional da Uefa participará de qualquer competição da Fifa enquanto essas propostas permanecerem na mesa", concluiu a Uefa, faltando apenas onze meses para a Copa do Mundo Feminina de 2027, no Brasil.
Na terça-feira, a Fifa revelou inesperadamente um plano para criar uma empresa, a FIFA Forward Enterprise (FFE), encarregada de gerir suas atividades comerciais (transmissão, patrocínios, venda de ingressos, licenciamento) e operações relacionadas a eventos (incluindo a Copa do Mundo e a Copa do Mundo de Clubes).
Essa empresa estaria aberta a investidores privados, que, segundo a Fifa, deteriam participações minoritárias, com o objetivo de aumentar as receitas do futebol.
Gianni Infantino, presidente da entidade máxima do esporte, afirmou que os recursos ajudariam a financiar o desenvolvimento global do futebol.
"É uma oportunidade, não uma obrigação", e a proposta faz parte de "um processo democrático", disse Infantino em um vídeo na quarta-feira, após um dia de reações acaloradas, particularmente intensas no continente europeu.
Na Europa, a oposição parece acirrada em relação ao que é visto como uma maior mercantilização do futebol, em meio a suspeitas de conflitos de interesses.
"É irresponsável e indefensável que uma proposta com um impacto tão grande no futebol tenha sido concebida em segredo", declarou a Uefa nesta quinta-feira.
"Não se trata de uma 'decisão democrática', mas sim de uma governança pelo medo", observou a confederação europeia de futebol.
A Uefa se referia ao prazo de 19 de setembro para que as federações se manifestassem sobre o projeto, conforme descrito em uma carta de Infantino enviada às 211 federações e divulgada por diversos veículos de comunicação.
R.Vandevelde--JdB