Journal De Bruxelles - Principal sindicato da Bolívia declara greve por tempo indeterminado contra governo

Principal sindicato da Bolívia declara greve por tempo indeterminado contra governo
Principal sindicato da Bolívia declara greve por tempo indeterminado contra governo / foto: Jorge BERNAL - AFP

Principal sindicato da Bolívia declara greve por tempo indeterminado contra governo

O principal sindicato de trabalhadores da Bolívia declarou, nesta sexta-feira (1º), uma "greve geral por tempo indeterminado", após considerar que o governo do centro-direitista Rodrigo Paz não atendeu às suas reivindicações em meio a uma profunda crise econômica.

Tamanho do texto:

A Central Trabalhista Boliviana (COB) exige um aumento de 20% do salário mínimo, a revogação de uma reforma tributária para pequenos comerciantes, aumentos nas pensões, a redução dos salários de altos funcionários e outras demandas.

Com faixas e capacetes, sob um sol intenso a 4.000 metros de altitude, diversos setores convocados pela COB se reuniram nesta sexta-feira na cidade de El Alto em uma assembleia ao ar livre.

"A partir de hoje, declara-se a greve geral por tempo indeterminado, com mobilização, até que o governo compreenda as demandas do povo. E se não cumprir, que vá para casa, caralho!", disse o secretário-geral da COB, Mario Argollo.

"A luta é dura, mas venceremos!", entoavam mais de mil trabalhadores em frente ao palanque.

A COB também rejeitou o eventual fechamento de empresas públicas e pediu para limitar a exportação de alimentos para garantir o abastecimento interno, estabilizar a taxa de câmbio e revogar uma lei que altera o regime de pequenas propriedades agrícolas.

O presidente Paz criticou duramente as lideranças trabalhistas pelo pedido de aumento salarial, pois seu governo elevou o salário mínimo em 20% em janeiro. "Se quer aumentar salário, primeiro gere empregos", afirmou o governante em um ato em Cochabamba.

Ao longo da semana, outros setores também se manifestaram, como transportadores, professores, mineiros, médicos e indígenas, um contexto que coloca o governo de Paz contra a parede.

Paz, de 58 anos, assumiu o poder em novembro após 20 anos de governos socialistas de Evo Morales (2006-2019) e Luis Arce (2020-2025), que considera responsáveis por lhe deixarem um "país quebrado".

Uma longa política de subsídios aos combustíveis, que ele eliminou em dezembro, deixou o país andino sem divisas, o que provocou sua pior crise em quatro décadas. A inflação acumulada em 12 meses foi de 15% em março, após atingir um pico de quase 25% em julho.

E.Janssens--JdB